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Psicoterapia

Comportamento workaholic e o papel da terapia

Comportamento workaholic e o papel da terapia
A top view of a young Scandinavian businesswoman lying on the floor that is full of papers and documents in an office scene. Generative AI image AIG30.

Alguns anos atrás, ser workaholic era sinônimo de dedicação e comprometimento. Ainda hoje, na verdade, existe uma falsa sensação de que você somente conseguirá chegar no topo se estiver sempre disponível para o trabalho e ocupado com tarefas, sejam elas urgentes ou não.

Mas, ainda que a cultura das horas extras e do sucesso continue em ascensão – e tão difundida quanto antes –, trabalhar sem parar pode impactar negativamente a sua saúde física e mental e suas relações interpessoais.

A romantização do trabalho e a escalada do Burnout – e de outros transtornos e doenças –, aliás, não são meras coincidências. Horas extras, ambientes de cobrança excessiva e incapacidade de estabelecer limites saudáveis levam à exaustão e a problemas de saúde: é uma conta simples, mas que poucos fazem.

Sinais de uma pessoa workaholic

A definição de workaholic não se limita às horas trabalhadas, embora conceitualmente compreenda um transtorno relativo à incapacidade de parar de trabalhar. O problema, na verdade, vai além e está também relacionado à intensidade e como isso afeta a vida daquela pessoa, em diferentes níveis.

Por isso, identificar os sinais de alerta, compreender suas características e buscar apoio são passos fundamentais para reverter esse quadro. Confira abaixo alguns dos principais indicadores de que algo não está bem.

Dificuldade em desligar

O workaholic sente uma necessidade constante de estar conectado ao trabalho, mesmo fora do horário comercial, em finais de semana ou momentos de lazer. Isso pode levar a um estado de alerta permanente, o que prejudica o descanso e a recuperação.

Negligência de outras áreas da vida

Relações sociais, familiares e amorosas são frequentemente deixadas em segundo plano. O trabalho passa a ser o centro das atenções, reduzindo o tempo e a energia dedicados às atividades fora do ambiente profissional.

Sentimento de culpa

Momentos de lazer ou descanso geram ansiedade ou um profundo sentimento de culpa na pessoa. É como se ela sentisse que não está “produzindo” e que poderia estar fazendo mais ou melhor aproveitando o tempo – trabalhando, é claro.

Horas extras constantes

A rotina de um workaholic frequentemente excede o horário comercial, mesmo quando não há uma demanda imediata ou urgente. A vontade de “fazer mais” e estar à frente traz uma ilusão de que é preciso completar mais do que 12 horas no escritório.

Distúrbios do sono e estresse

Dificuldades para dormir, alimentação desregulada e estresse crônico são comuns, já que o indivíduo não consegue parar de pensar nas tarefas do dia a dia. Dessa forma, o corpo e a mente acabam sobrecarregados, comprometendo a saúde e o bem-estar geral.

Foco constante no trabalho

Se a única conversa gira em torno de projetos, metas e desafios profissionais, é provável que o trabalho esteja ocupando espaço demais na vida da pessoa.

Características comuns de um workaholic

Ninguém se torna workaholic do dia para a noite. Este é um processo gradual que, muitas vezes, começa com uma dedicação intensa, motivada por diversos motivos: metas ambiciosas, desejo de reconhecimento ou a necessidade de se destacar em um ambiente competitivo. Ao longo do tempo, essa dedicação se transforma em algo desproporcional, afetando outras áreas da vida.

O workaholic está quase sempre checando seus e-mails, pensando em soluções para problemas ou planejando os próximos passos, e sente uma culpa extrema por “não estar produzindo” em momentos de lazer ou descanso. Mas, outras características também chamam a atenção.

O trabalho é tudo

Uma das principais características de um workaholic é o foco no trabalho. Nada é mais importante do que resolver as pendências e ser o primeiro a chegar na empresa e o último a sair.

Péssima alimentação

Em nome do trabalho, o workaholic ignora sua saúde física e alimentação. Como cada minuto conta, é comum que eles priorizem as tarefas, ainda que não sejam urgentes, e optem por lanches rápidos que são muito mais fáceis de comer no escritório.

Estresse crônico

É praticamente impossível workaholic que não sofra com algum nível de estresse. A rotina exaustiva não permite momentos de descanso ou lazer, o que faz com que o corpo e a mente demandem mais energia do que podem oferecer. Essa pressão constante leva a níveis elevados de cortisol, o hormônio do estresse, e contribui para diversos problemas de saúde, como insônia, dores musculares, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Dificuldade em delegar

O workaholic acredita que somente ele é capaz de realizar determinadas tarefas com perfeição, o que o impede de delegar responsabilidades para colegas. Essa postura reforça a sobrecarga e dificulta o equilíbrio.

A vida fora do escritório é praticamente inexistente

Lembra da frase “trabalhe com o que você ama e nunca mais precisará trabalhar na vida”? O workaholic acredita fielmente que o trabalho é seu hobby e que não precisa de momentos de lazer ou prazer. Afinal, não existe nada que valha as horas “perdidas”.

Perfeccionismo

Esta é uma característica marcante nesses casos, especialmente porque o workaholic tende a gastar tempo demais em detalhes ou refazendo tarefas em busca de um nível de excelência que muitas vezes é inatingível.

Quando é hora de procurar ajuda?

Todo workaholic pensa no trabalho 24 horas por dia e sete dias por semana. Esse é, justamente, o conceito.

Por muitos anos, inclusive, fomos levados a acreditar que esse era o modus operandi do mercado, independentemente da área. Mas, a verdade é que a máxima “trabalhar enquanto os outros dormem” ou tantas outras, que estampam capas de livros ou quadros nas paredes do escritório não faz sentido algum.

Isso porque, a rotina exaustiva de um workaholic pode levar a consequências sérias, como estresse crônico, ansiedade e esgotamento emocional, que comprometem não apenas a qualidade de vida, mas também os relacionamentos. Há casos, inclusive, em que o efeito rebote acontece e o desempenho profissional também é impactado negativamente.

Nesse cenário, é importante considerar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e contar com o apoio de um profissional.

A terapia ajuda a redefinir o conceito de sucesso e quebrar barreiras e crenças limitantes, identificando os gatilhos e as causas que levam à compulsão pelo trabalho, como perfeccionismo, necessidade de aprovação, insegurança ou medo de fracasso.

Da mesma forma, o apoio profissional também trabalha a criação de limites saudáveis, tanto no ambiente profissional quanto na vida pessoal. É um processo longo, mas necessário, em que o paciente pode se redescobrir, fortalecer relacionamentos e desenvolver uma rotina mais equilibrada e saudável.

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Criado em 2017, pela psicóloga Fernanda Correa Brito Araujo (CRP 06/102387), o consultório de psicologia está localizado próximo ao metrô Santa Cruz, zona sul de São Paulo, e conta com equipe de psicólogas experientes e com diferentes especializações, todas credenciadas no Conselho Regional de Psicologia.

Além do atendimento presencial, a Desenvolviver oferece psicoterapia online.

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